Resenha – Leonard Cohen em “Field Commander Cohen: Tour of 1979”

Leonard CohenAviso: Se você quer um resumo da resenha, vá para o final dela. O último parágrafo resume bem o que penso.

Olá pessoal!

Hoje falarei de um cara que é um ícone do folk que poucos lembram. Ao falarmos folk, sempre vem Bob Dylan na cabeça. Mas Leonard Cohen é muito importante para o folk também. Desde 1967 o homem faz músicas cheias de violões e com sua voz particularmente rouca e com ares de bêbado. Aliás, nem só de violão vive o folk, mas de vários instrumentos de corda. E agora falarei desse ao vivo de belas músicas.

A faixa-título começa o cd com violão ritmado e marcado. Alguns naipes leves de metais e violinos dão outros ares além daquele de faroeste que predomina a faixa. Backvocals acompanham Cohen nos refrões e fazem com que eles transmitam ainda mais emoção. Música um tanto quanto densa, que vai tomando energia até chegar aos refrões. A segunda trilha é “The Window”, que inicia com um violão arpejado e um violino doce e melancólico. A música é daquelas que você imagina uma galera se separando no final do seriado, sabe? Linda, doce, tocante e nem por isso melosa. E o vocal feminino que o acompanha deixa tudo ainda mais lindo. Ai, depois, vem “The Smokey Life”. Violão calmo, percussão suave, guitarra riffada de maneira sensual e doce ao mesmo tempo, coisa que considerava impossível até agora. Música para curtir a dois, dançando. O baixo dela é bem forte também em alguns momentos. “The Gipsy Wife” vem com ares dramáticos, violão cheio dos graves e densidade forte. Acho que ele usa um bandolin ou banjo para sons agudos. Além disso, a levada densa da música faz com que ela se torne até incomoda em certos pontos. O violino agudo dá ainda mais ares de drama. Quase uma novela mexicana, o que até explicaria o nome. E “Lover, Lover, Lover” vem cheia de notas rápidas, ritmos fortes com ares latinos e uma percussão bem bacana também. Ai entra o vocal forte de Cohen e fecha o pacote com backvocals que mantém os ares latinos. Estranho é ver um americano cantando música com esse tipo de levada e até flauta no fundo. E o solo de violão prova isso ainda mais. E chegamos ao meio do cd com a minha predileta de todo coração. “Hey that’s no way to say goodbye” é a maior declaração de amor que pode-se ouvir de um cara. O violão é doce, suave, e a voz de Cohen dá uma força estranha para uma música que tinha tudo para ser melosa. Os backvocals também mandam bem nessa faixa, e a flauta torna tudo mais romântico. Só não ganha do solo de violino.

“The stranger song” tem um vocal mais aceleradinho, e o violão é ainda mais trabalhado que nas outras devido a isso. O ritmo mais rápido chegaria a dar paúra não fosse ele baixinho. E uma música extremamente constante. “The Guests” vem com uma tensão logo de começo que Cohen só resolve com a entrada de seu vocal. E ele fica ocilando entre tensão e solução, contando com o violino e com a repetição de termos. “Memories” traz aqueles ares tradicionais de músicas de 1960, música de baile de ginásio, fugindo totalmente do folk típico de Cohen. O bacana é que ficou ótima, o que mostra a versatilidade do homem. “Why don’t you try” vem com palmas, levadas de jazz e faz com que você queira cantar junto e ter aquela voz grave própria dos negros. Tanto que Cohen, apesar de cantá-la bem, poderia ter deixado só a vocal feminina que o acompanha cantando e ia ficar bem melhor. A levada sensual só combina com vozes femininas, ainda mais com o saxofone que está lá, acompanhando o piano. “Bird on the Wire” vem na penúltima posição e volta com os ares folks devidamente posicionados. A melancolia, o violão mais que pontuado, tudo se encaixa com uma perfeição calma que dá vontade de estar ao lado de Cohen, cantando com ele. E, para fechar a obra, “So Long, Marianne” vem com leveza e ritmo um pouquinho mais forte do que estamos acostumados. Ela sim traz a alma do folk, algo que no Brasil temos bem pouco. Nessa trilha, chega a ser fácil confundir Folk e Country, devido a levada. O violino no meio da música dá um show a parte.

É num clima de aconchego, de vontade de ficar junto com quem amamos, que Cohen nos deixa nessa obra com pouco mais de uma hora. O impressionante é que o folk dele é muito mais voltado para o Country que para o Rock, o que faz com que a sonoridade seja um tanto quanto diferente quanto a de Dylan. Eu prefiro Cohen.

Site – Leonard Cohen

“I know that we are not new / In city and in forest / They smiled like me and you, / But now it’s come to distances / And both of us must try, / Your eyes are soft with sorrow, / Hey, that’s no way to say goodbye.”(Hey, that’s no way to say goodbye – Leonard Cohen)

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