Resenha – Deolinda em “Canção Ao Lado”

Olá Pessoal!

Vou falar hoje de uma banda apresentada a mim por uma amiga lusitana. Não atoa a banda é de Música Popular Portuguesa, tendendo ao fado. Segundo a wikipédia, o grupo surgiu em 2006. O disco aqui resenhado é do ano passado e, por mero acaso, disco de estréia da banda. Ana Bacalhau (sim, esse é o nome da vocalista) tem uma linda voz, e uniu-se a seus primos e seu marido para esse projeto. Enfim, vamos à resenha das 14 faixas do cd.

O álbum começa com “Mal por mal”, de ritmo bem leve e letra com um conflito romântico muito fofo. Fora que o refrão “O teu bem faz me tão mal” e a inversão dele gruda na cabeça e soa de forma até engraçada. A segunda música foi a primeira que ouvi, “Fado toninho”, e mantém o estilo romântico com o violão bem arpejado, no ritmo 3 por 4 típico. A letra é de uma briga engraçada, uma cena mais cômica que do que a primeira. “Não sei falar de amor” é a terceira faixa, e começa apenas no vocal, com os instrumentos entrando pouco depois. É uma música mais melancólica do que as anteriores, e por isso mesmo considero-a mais bela. A faixa 4 é “Contado ninguém acredita”, novamente com aquele ar engraçado. Melodia animada, com violão muito bem arpejado e trocas de baixo lindas, e um romance platônico quase incompreenssível (pensei ser o caso de amor por um padre, talvez) na letra. Chegamos a música “Eu tenho um melro”, 5ª do cd, também mais calma e melancólica, com apenas um violão no ínicio. Quando o outro violão e o contra-baixo entram, quase imperceptíveis, é só para fazer um jogo a mais na música. E, pela primeira vez, um breve jogo de vozes é feito, e no final a música fica mais animada. Isso deve ser o prenúncio da sexta faixa, “Movimento perpétuo associativo”, que mescla partes mais fortes com partes mais cômicas, que parecem fazer parte da natureza da banda. E a metade do cd chega com “O fado não é mau”, uma música novamente mais melancólica, com uma triste sina envolvendo o próprio ritmo da banda.

A oitava faixa é “Lisboa não é a cidade perfeita”, nostálgica como poucas músicas que ouvi. Ela vai além da saudade, e novamente une o vocal feminino ao masculino. “Fon-fon-fon” é o nome da 9ª trilha, que conta animadamente a história de uma amor por um tocador de tuba. “Fado castigo” é a música seguinte, novamente saudosista, que parece “reclamar” a impopularidade do fado e “culpar” outros ritmos por isso. Com uma cadência mais forte, a 11ª música é “Ai Rapaz”, e conta o breve trabalho de dançar com o par desejado e toda a espectativa de tal fato. O que mais interessa aqui é mesmo a cadência mais forte, mais marcada. A ante-penúltima trilha é a faixa-título, “Canção ao lado”, animada e rápida. Parece criticar certo eruditismo e o afastamento de certo costumes. Chegamos perto do fim do cd com “Garçonete da casa de fado”, e é a que mais tem relação conosco. Parece que tentaram descrever o espírito de um brasileiro em terra portuguesa ao ouvir a típica música dos nossos colonizadores. O refrão é realmente puxado para o chorinho e maxixe, remetendo a Chiquinha Gonzaga, e Ana o canta quase sem aquele sotaque pesado português. E, com melodia saudosista, terminamos o cd ao som de “Clandestino”, que por acaso conta o caso de amor proibido.

Fica a dica a todos. O folk não se restringe aos europeus e norte-americanos, afinal cada país tem seu folclore. Interessante é perceber os traços musicais do folk deles que residem, até certo ponto, no nosso folclore, como o ritmo 3 por 4 de alguns ritmos nacionais, que pode ter vindo do fado, que por sua vez é música européia. Não tem como baixar as músicas, o que é triste, mas nossos colegas lusitanos disponibilizaram o cd todo para audição no site http://www.deolinda.com.pt/ . O myspace deles conta com 6 das 14 músicas. Eu optaria pelo site.

MySpace – Deolinda

“E soubesse eu artifícios / de falar sem o dizer / não ia ser tão difícil / revelar-te o meu querer. / A timidez ata-me a pedras / e afunda-me no rio / quanto mais o amor medra / mais se afoga o desvario.” (Não sei falar de amor – Deolinda)

Vejo vocês depois

2 comentários sobre “Resenha – Deolinda em “Canção Ao Lado”

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