Resenha – Arctic Monkeys em “Humbug”
Bom dia!
Sim, eu sei que atrasei (de novo) os posts desse blog. Pretendo, com todas as forças, tirar o atraso durante a semana, até sábado. E, pra começar essa recuperação, um dos cds mais comentados durante as duas últimas semanas. A volta dos Monkeys agitou a cena indie, e não atoa. Os ares da banda parecem ter mudado e, na minha opinião, pra algo muito diferente e, no entanto, tão bom quanto o que eles faziam antes. Mas, nesse faixa-a-faixa, não esperem músicas agitadas. Vamos lá?
O cd é aberto por “My Propeller”, que começa com guitarra, bateria e baixo. A guitarra ganha um leve destaque, mas novamente é seguida pelo baixo e pela bateria. A voz de Alex Turner aparece mais grave do que o que estamos acostumados no Arctic e, na minha opinião, tá até mais sensual. A levada mais densa, o vocal mais grave, tudo leva a uma impressão de sentimento mias forte. Parece que encontramos um cara que acabou de sair dos seus 18, 19 anos e agora se vê em um mundo mais real e, talvez para alguns, mais cinza. A segunda é o single “Crying Lightning”, e vem com o baixo mandando desde a introdução. Uma leve distorção, e a guitarra some um pouco. Música bem ritmada, riffs mais agudos contrastando com o baixo. O vocal continua bem grave, até o refrão onde a voz de Turner se parece mais com as músicas dos cds anteriores. A música como um todo se torna mais aguda, dá uma leve animada, mas isso não quer dizer muita mudança. A guitarra, no solo, também vem distorcida e levemente mais grave. Na verdade, grave e agudo se alternam, talvez por isso o single seja tão bom. A faixa três é “Dangerous Animals”. Mais agitadinha, mantem o clima sombrio, e tem um sintetizador bem anos oitenta de fundo. Interessante que nessa faixa eles conseguiram imprimir aquela coisa dançante, bem típica da banda, porém o clima continua denso como o do resto do cd. Depois do refrão tem uma quebrada de ritmo fantástica, e depois o ritmo volta ao normal. Tem um trecho de bateria bem forte e bem rápida, mas novamente ela some em prol da guitarra. O riff da mesma é bem repetitivo, e talvez isso relembre também as músicas anteriores. Em seguida, “Secret Door” quebra com a agitação da trilha anterior. Mais suave, contrasta MUITO com a trilha anterior. O vocal de Turner vem bem agitadinho em certos momentos, conta com uma leve distorção em outros, e no fim a trilha é uma das que mais me agrada até agora. E, no meio, vem outra bem agitadinha. “Potion Approaching” provavelmente vai ser o motivo de reconciliação para aqueles mais tradicionalistas, que estão do lado do “Hate” na minha teoria de que todo 3º cd é o “Love or Hate” de uma banda. Ainda assim, tá no clima do Humbug, com melodias mais densas.
A sexta música é “Fire and the Thud”. De introdução suave, chocalho e guitarra, o baixo entra bem destacado. Essa é bem calma, densa, e novamente sinto uma nota maior de sensualidade. O vocal de Turner não está tão grave, mas ainda assim está delicioso, mais etéreo. No final tem um momento mais agitado, com mais guitarra, e que dá um ar mais dançante pra trilha até então calma. E então a trilha se encerra com uma progressiva diminuição de ritmo. Outra de ares suaves é “Cornerstone”. A diferença é que ela vem numa melodia menos densa, mais melancólica. Os riffs da guitarra são levemente distorcidos, e temos um violão fazendo a base. Talvez seja uma das músicas mais alegres do cd, e de vocal mais leve também. Não vi a letra, mas a melodia poderia ser facilmente romantica. A trilha oito é “Dance little liar” vem, novamente, de encontro com a trilha anterior. Com a guitarra distorcida, uma tensão é gerada logo de cara e a bateria vem bem forte, entrando num ritmo constante e bem denso. A voz de turner volta para aquele grave inicial, e dá quase uma moleza diante dela. O destaque dessa faixa fica mesmo por conta da bateria. O baixo aparece em certo momento, mas ainda assim mantenho a bateria no topo. Outra coisa interessante é o uso de backvocals. No final a guitarra, sempre estrelinha, dá um show a parte com um riff muito legal. A penúltima é “Pretty Visitors”, que vem com sintetizador e agitação mais que de sobra. Deus, essa música é perfeita para uma boa pista de indie rock. Sim, temos mais de uma música dançante no Humbug! Eles conseguiram, pela segunda vez, unir a agitação dos cds anteriores ao ar denso e sombrio do Humbug. Temos breves momentos mais calmos, que são os refrões, mas não tem como negar o quão boa é essa música. Além disso, destaque para o sintetizador e para guitarra, que garantem essa união de densidade e agitação. E o cd fecha com “The Jeweller’s hand”. Baixo forte, guitarra baixa e novamente os ares mais graves e a voz de Alex acompanhando a densidade da trilha. É bem densa, quase deixando a gente mole. Porém, sem sombra de dúvidas, é uma das trilhas mais bem trabalhadas. E também é a mais longa do cd.
O cd, como um todo, vai trazer a tona aquela minha teoria de “love or hate” que cabe ao terceiro cd. No entanto, é ótimo, e para aqueles mais radicais temos duas trilhas muito dançantes.
“I’ve got this ego overdamage? / She’s always trying to give me vitamins / I should be frightened of your reflection / I preferred her as a cartoon / If i could be someone else for a week / I’d spend it chasing after you / Shes not shattered in my attitude” (Potion Aproaching – Arctic Monkeys)
See ya later.




