Resenha – Jet em “Shaka Rock”
Hey people!
Hoje o dia é de rock. Sim, rock e daqueles maravilhosos, feitos hoje em dia mas que parecem ter saído do toca-disco ou da jukebox do final de 1970. Apesar desse cd está bem mais comercial, na minha humilde opinião, o Jet sempre teve essa pegada mais sessentista. Apesar do maior hit da banda ser “Look what you’ve done” (a música mais melosa que já ouvi), é meio difícil que alguém não se lembre de “Are you gonna be my girl?”. E tendendo mais aos ares da segunda música, o cd “Shaka rock” vem cheio de boas músicas. Vamos ao faixa-a-faixa.
“K.I.A. (Killed in Action)” trás aquela levada ritmada do rock antigo, guitarra e bateria em destaque, baixo meio apagado. Agitada, com backvocals interessantes. Destaco a guitarra e seus riffs, além do vocal com “Yeahs” e “ooohs” e “a ha, a ha”. No final a bateria tem umas quebradinhas bem bacanas. Já numa levada mais calma, mais parecida com o nosso alternativo atual, vem “Beat on Repeat”. Novamente o baixo apagado, guitarra em destaque e a bateria aparecendo aqui. O vocal e os efeitos da guitarra são bacanas pra caramba, que dão leveza ao rock denso da música. Os ares do final de 60, começo de 70, volta com “She’s a Genious”. Agitada, dançante, cheia de guitarras e bateria bem marcada. O vocal rasgado é outra característica deliciosa do Jet, mas é particularmente melhor aproveitada nessa faixa. A minha predileta é a trilha 4, “Black Hearts (On fire)”. Com a pegada típica do Jet, guitarra marcada e bateria de fundo, a música trás efeitos mais etéreos e se torna mais dançante. Além disso, a letra do refrão é muito legal. E, em certos momentos, ela inspira certa sensualidade que eu achei que a banda tinha perdido. A quinta música vem com piano! O vocal mais suave de “Seventeen” impressiona aos mais desavisados. Se não me engano é das mais suaves do cd. Mas a guitarra aparece e dá o ar mais rock. É bem atual e mercadológica, mas confesso que é uma das mais empolgantes. Não sei porque, mas ela me lembra o estilo de som do Rooney. E a 6ª de 14 é “La Di Da”. Conta com vocal rápido, assim como guitarra e bateria. A guitarra vem mais atual, mais aguda, e tem um leve ar de melancolia na faixa que eu não sei explicar. E chegamos ao meio do cd com “Goodbye Hollywood”. Guitarra mais animada, com ares de festa com amigos. O vocal rasgado volta, mas o que muda é a levada da trilha como um todo. Destaque para um leve teclado sintetizado de fundo.
A oitava é “Walk”, que conta com um ótimo piano. Bem ritmada, com guitarra distorcida e backvocals meio apagados. Em certos momentos, apenas a percussão aparece. Tem um leve ar de música pra Guitar Hero, com riffs fáceis mas meio que supérfluos. Com guitarra mais comum, ares mais mercadológicos, aparece “Times Like these”. O refrão é grudento, mas de resto não há muito o que destacar. O baixo aparece mais na 10ª música, “Let me out”. O vocal tá bem rasgado, e até meio apagado pela guitarra. O piano aparece de fundo e a bateria confere força para a trilha sem backvocals.A música que ocupa a posição onze é “Start the Show” e começa com um grito. A guitarra faz as vezes setentistas e o baixo aparece forte, acelerando a música e dando vontade de dançar. A um leve momento mais calmo, mas a música trata do bom e velho rock. A melosidade volta com quase toda força em “She Holds a Grudge”. Piano comandando a levada da música, apesar da guitarra presente. Bateria forte, mas calma. O vocal tem um momento sintetizado, que vem depois de um riff de guitarra e baixo super bem feito. E agora, duas faixas bonus. Tenho que dizer que a primeira é das minhas favoritas. Um ar de country rock impera em “Don’t break me down”. Os backvocals, a guitarra riffada e levemente distorcida em certos momentos, limpa em outros dá esse ar. A bateria é bem leve, e o baixo tá bem sumidinho. E outra com ar bem country é “Everything will be alright”. Violão e backvocals dominando o início da música, com riffs suaves por parte do primeiro. O backvocal da aquele ar bem de final de tarde com lual.
O Jet demonstra evolução nesses 47 minutos de música. Não mudaram quase nada do que faziam e, no entanto, o som tá melhor trabalhado. As mesclas de instrumentos funcionam bem para a proposta da banda. No myspace dá pra ouvir três das 14 citadas.
“Your hearts on fire, but your cold to the touch / I know you want it but you love yourself too much / Your hearts on fire but your head is a rut / You best believe it, I ain’t ever giving up” (Black Hearts (on fire) – Jet)
See ya later
Resenha – Ludov em “Caligrafia”
Hey pessoas!
Hoje não esperem uma resenha exatamente imparcial. De fato, esperem algo apaixonado, pois falar de Ludov pra mim sempre remete a paixões. A banda paulista lançou seu novo cd, “Caligrafia”, com shows online e o show oficial de lançamento aconteceu na Clash Club, em São Paulo (resenhei esse show para o “Mundo Rock de Calcinha”, caso queira ler clique aqui). O cd, disponível para download no site da Mondo 77, trás 19 músicas na versão online e 12 na versão física. Sim, você pode baixar mais músicas que comprá-las. Entendem por que adoro cada vez mais essa banda? OK, mas vamos a resenha. Prometo tentar não me empolgar.
O cd abre com “Luta Livre”. O música tem ritmo extremamente marcado, tanto na guitarra quanto na bateria e baixo. O vocal de Krongold parece mais aveludado que antes e a letra da música conta, de maneira interessante, a briga entre razão e coração durante uma paixão (não é que rimou?). A história é contada como uma luta realmente, e os backvocals dão aquele ar de platéia. Creio que tem violinos ao fundo em certo momento, quase ao final da faixa. A segunda música é “Vinte por cento”, chamada de “Amanhã” por alguns. Com uma levada mais swingada, com percussão diversificada por o que creio ser bongôs, tem mais presença da guitarra que dos outros intrumentos. Além disso o refrão é bem grudendo e a música, apesar da letra mais “depressiva” é muito empolgante. Naipes de metais aparecem quase ao final da trilha. A faixa 3 é “Sob a neblina da manhã”, mais calma que as duas anteriores. O riff da guitarra se repete ao longo da música, mas em momentos pontuais. O baixo tá bem escondidinho sob a guitarra “batida”, não tão só trabalhada como era antes. Talvez isso se deva ao fato da entrada de Bruno Serroni no baixo, liberando Habacuque para a guitarra. A trilha quatro é “Madeira Naval”, mostrando uma tendência nacional que está mais presente nesse álbum. O vocal de Habacuque surpreende, visto que normalmente ele fica apenas nos backvocals. A guitarra vem mais trabalhada, a percussão tá bem presente e temos a presença do que creio ser cavaquinho, mas bem pouco. Um distorção ao final deixa claro que, apesar da influência nacional, temos uma pegada de rock aqui. “Mecanismo”, trilha 5, também trás esse ar mais brasileiro no violão quase que arpejado. As palmas são muito interessantes. A escaleta marca presença e diferencia essa música do que temos normalmente quando falamos de “música brasileira”. Além da letra mais que marcante e reflexiva. Agora vem “Paris, Texas” e seus “aus”. Música para ser cantada em coro, como a banda faz (os vocais são de Vanessa e, creio, Mauro). Apesar de não ser exatamente o estilo típico da banda, é uma das melhores e mais cantadas no show. A faixa 7 é a música de trabalho, “Reprise”. Essa sim se assemelha ao que estamos acostumados no ludov. Teclado, alguns sintetizadores, bateria marcante, guitarra… O vocal de Vanessa cada vez mais rouco ajuda muito a gostar da trilha. Além do que, para quem viu o clipe, a dança é algo engraçado e inédito. A letra, mais uma vez,é reflexiva, caraterística forte na banda. E a oitava, meio do cd (na versão download) é uma das minhas prediletas. O vocal de Motoki em “O seu show é só pra mim” é suave, assim como o estalar de dados e a guitarra. A letra, mais que romântica, é fácil e grudenta. A progressão da música leva a entrada de instrumentos e uma leve animada. Alguns dizem que, devido aos backvocals, a música é um pouco fraca, mas ai deixo a cargo de vocês.
A faixa 9 é “Terrorismo suicida”. Acelerada, talvez a mais acelerada do cd. Guitarras em destaque, baixo bem escondido e mais “aus”. Parece que esse é o cd das vocalizações. Bateria um pouco mais aparecida que o normal, mas isso se deve ao fato da música precisar de ritmo. O drama do cd fica por conta de “Não me poupe”. Quase que um tango, com Cello perfeito tocado por Bruno Serroni, os outros instrumentos não aparecem até o meio da faixa. Interessante que eles só dão ainda mais ar de tango, de drama. O ar de música nacional volta em “Magnética”. De violão bem ritmado, solinhos no que creio ser um cavaquinho, tem o baixo e a percussão apagados pelo menos até o primeiro minuto. O refrão é bem grudento. A última da versão física é a queridinha de muitos: Noutre Voyage. Obviamente cantada em francês, tem violão arpejado, percussão suave e um dueto de Vanessa e Mauro que ficou mais que apaixonante. Falando agora das faixas exclusivas para download, começamos por “Teu Perfume”. Guitarra ritmada, bateria aparecendo, baixo quase apagado. Vocal suave e aveludado para um refrão mais que meloso. Aliás toda a música é melosa. Em seguida, temos “Flor de Lótus”. Calma, melancólica, contrasta muito com o resto do cd pois é triste sem ser depressiva. Só mantem a linha pelo dominio do violão arpejado, que pareceu ser bem constante nesse álbum. O vocal de Vanessa vem mais agudo e transmite uma emoção forte. Curiosidade: é a maior música do álbum. A bateria entra quase no segundo minuto, assim como sintetizadores.Tem uma aparente virada de ritmo e estilo por volta do 4º minuto, e o instrumental bem trabalhado é longo para os padrões mercadológicos. Para se ter noção, é mais de um minuto de final de música, e só instrumental. A 15ª é “Prisma”, e traz de novo aqueles ares mais latinos na música, principalmente a levada. É quase um hino, me causa uma sensação que não sei explicar. Deve ser gostoso dançar a dois. No final, a guitarra confere o ar mais rock. “O passado” vem na posição 16. Cheia de efeitos tem, além deles, teclado, guitarra, bateria e o vocal mais que etéreo. Com percussão levemente quebrada, e naipes de metais mais pro final, e Vanessa abusando do agudo, a música foge a todos os padrões. Novamente o ar mais melacólico aparece na penúltima, “Antiquário”. Romantica, com piano, sintetizadores, guitarra baixa e bateria suave aparecendo as vezes. Essa é meio música de fim de festa, quando tá só um casal na pista que não sai nem por decreto-lei da mesma. Com ares mais eletrônicos, ótima pra pista, vem “Desatar os nós”. Deliciosa, pois une uma calma e melancolia com sintetizadores. E encerramos com “Canção por Helena”, com uma melodia levemente dramática e agitada. Destaque para guitarra e bateria, com o baixo apagado. Também é dançante.
O cd de 19 músicas tem faixas para agradar a todos os gostos. Alguns dizem, como resultado da síndrome de “Love or hate” de 3º cd que o álbum está fraco. Eu não acho e recomendo a todos que ouçam muito o cd e sigam para os shows, que ai você se apaixona de vez.
MySpace – LudovDownload do CD “Caligrafia” (Link para site da Mondo 77)
“As ruas que eu caminhava mudaram de direção / Me sinto perdido, andando em círculos sociais / Entrando em contramão / Confundindo sinais” (Mecanismo – Ludov)
Vejo vocês por ai
Resenha – Pocketbooks em “Flight Paths”
Olá Galera!
Hoje vamos falar de Twee Pop. Sim, esse genero super fofinho do indie pop é o apresentado pelo Pocketbooks. Me apaixonei pela banda e, confesso, demorei para resenhar esse cd. Motivo? Simples: não se acha download dele. Enfim, vamos ao que interessa, certo?
Com bateria, baixo, teclado e guitarra bem básicos começa “Footsteps”. O vocal feminino tende ao agudo e é bastante suave e calmo. É o que eu chamo de música para acordar, pois dá uma animada no dia. Naipes de metal aparecem logo após o refrão da música, dando um ar ainda mais animado. E, logo em seguida, um momento breve só do vocal, com a entrada dos instrumentos posteriormente. Mais acelerada, “Fleeting moments” aparece cheia de baixo e bateria. Depois de um tempo o piano aparece e a guitarra fica só de fundo. Contraste bastante em termos de ritmo com a trilha anterior, é mais aguda e contem mais backvocals. A terceira música é “Camera Angles” e vem com violão na introdução. O vocal agora é masculino, com o baixo e a bateria mais destacados, sobrepondo o violão. O piano aparece, assim como os naipes de metal. Interessante que a música como um todo se torna mais melancólica com a simples mudança de vocal. Com um ritmo mais forte, gerando até uma leve tensão e se assemelhando com algumas músicas nacionais, aparece a número 4 “The Outskirts of town”. O vocal feminino volta, assim como a guitarra e mais algum instrumento de cordas que não identifico. A bateria aparece mais depois do refrão, dando ainda mais marcação ao ritmo. A animação também está de volta, devido a um destaque maior ao piano. Só que a animação só volta com tudo em “Cross the line”, e aqui o vocal masculino também volta e vem ainda mais grave. O interessante é que temos, também, vocal feminino. A combinação básica de guitarra+bateria+baixo é um acerto de mão, e o piano aparece mas pouco se comparado as outras músicas. E chegamos a 6ª das 11 faixas. “Skatting on Ting Ice” tem baixo forte combinado ao piano e a bateria bem fraquinha de fundo.O vocal tende um pouco mais ao agudo que nas outras e a levada remete ao blues, só que animado, o que chega a ser contraditório.
A sétima trilha é “Sweetnes and Light” e, confesso, sou apaixonada por essa música. Cheia de piano e guitarras, com a base no baixo e a bateria quase nula, tem o vocal masculino, com a voz feminina fazendo backvocal. Destaque para uma leve melancolia mais pelo meio da música, mas nada desanimador. “I’m not going out” é a música oito e vem cheia de teclas, seja em teclado, piano ou escaleta. O vocal feminino volta a dominar e a melodia se mantem na combinação bateria+baixo+guitarra. São justamente as teclas que diferenciam a música, principalmente o que creio ser uma escaleta ou um teclado com efeito, que dá um ar mais leve. A nona faixa se chama “Every good time we had” é acelerada, não tem introdução e, apesar disso tudo, mantém o ar suave. Sei que é estranho aceleração com suavidade, mas é exatamente a sensação que ela fornece. Fora os toques do piano e, para diferenciar a música, guitarra distorcida no meio da música acompanhando o piano. A penúltima também não tem introdução só instrumental. “Paper Aeroplanes” começa com uma guitarra riffada bem suave e vocal, sendo que o baixo e a bateria entram bem suaves depois da primeira estrofe. Estranhamente calma, pelo menos de início, ganha animação depois do primeiro minuto com a entrada do piano. A medida que a música avança, o ritmo aumenta e o piano vai ganhando destaque, como se fosse o responsável por esse “agito”. O ponto fraco é que é uma música um tanto quanto repetitiva. E o cd encerra com “All we do is rush around”, que alterna momentos de agitação com guitarra, baixo e bateria acelerados; com momentos de calmaria, comandados pelo piano, invertendo a ordem de “comando” da trilha anterior. Contem um pequeno solo de guitarra com uma base suave de piano. O vocal masculino domina claramente a cena. No meio da música tem uma levada do baixo interessante, seguida da guitarra, e com o piano pontuando aqui e ali. O final da música parece ter sido passado por um filtro que dá a impressão de rádio.
Enfim, temos aqui o cd de uma banda nova fazendo um twee-pop/powerpop muito bom. A alternância de vocais masculinos e femininos, bem como a constante presença do piano dão um ar leve e dançante. O pocketbooks, ainda que desconhecido, é uma das melhores bandas que ouvi e uma das que mais recomendo.
“Like the mischief hidden in your eyes / Or the retro clothes you always buy / I just hope I’ll always hear your footsteps with me / Like the clutter in your kitchen / The same song you keep on whistling / I just hope I’ll always hear your footsteps with me” (Footsteps – Pocketbooks)
See ya later




