Resenha – Placebo em “Battle for the sun”
Hey pessoal!
Hoje nós vamos falar de rock. Como sempre, rock alternativo. Mas, dessa vez, o post terá um ar de desespero e até depressão. Com influências de Sonic Youth, Pixies e Smashing Pumpkins, o Placebo apresenta seu novo cd. O “Battle for the sun” é a obra apresentada depois de três anos. E postarei aqui minha primeira impressão, com pouquíssimo conhecimento da obra geral desse forte nome do rock.
Abrimos o cd com “Kitty Litter”, com guitarra, baixo e bateria fortes. A voz de Molko continua com aquele tom meio agudo, um tanto quanto desesperador. No meio da mpusica, a guitarra toma um riff mais agudo e mais suave, pra cair numa intensidade e força em uma parte mais densa. O sussurro de Molko é bem interessante no contexto. Com uma ar mais leve aparece “Ashtray Heart”. Com teclados sintetizadores, bateria suave e baixo em destaque, temos uma pequena geração de tensão antes do refrão. Essa faixa remete mais ao cenário musical atual do que a anterior, que lembra bastante o pouco que conheço do começo de carreira do Placebo. A terceira trilha é “Battle for the sun”, que vem com uma guitarra densa, acompanhada apenas da bateria na introdução. Música lenta e densa, pelo menos de início, o baixo aparece apenas para reforçar esse ar soturno. Do nada a música toma um ar agitado e mais intenso, a bateria aparece mais. E, pela terceira vez temos uma alternância de ritmo, um um momento mais suave que volta para o ar agitado. O refrão conta com um que “etéreo” bem interessante. Temos, em seguida, “For what it’s worth”, que começa com sintetizadores e guitarra pesada e ritmada. De início, nada de baixo ou bateria, mas os dois instrumentos aparecem juntos. Essa música é single, e tenho a impressão de ter visto o clipe em algum lugar. Boa para pistas de rock alternativo, e tem um trecho interessante com o que parece sons de video-game. O trecho seguinte tem domínio do baixo, e volta para o refrão agitado. A quinta faixa é “Devil in the Details”, e parece uma sincera continuação da anterior. Bateria forte logo de inicio, sobrepondo um sintetizador, que logo invertem de posição. O baixo aparece muito grave, e a faixa se agita no refrão, ganhando peso e voltando a ficar mais suave na estrofe. A sexta música é “Bright Lights” e é estranhamente animada para os padrões do Placebo. Começa com um sintetizador embasado na guitarra e bateria. O baixo ganha destaque, junto a bateria na estrofe, onde o sintetizador aparece pontuado. Muito acho que essa pode se tornar single, por combinar muito com o cenário atual. E o meio do cd é marcado por “Speak in tongues”, que começa com um sintetizador doce mas logo perde esse ar devido a entrada do baixo e da bateria. O baixo parece dominar essa música em particular, apesar de no meio dela a guitarra aparecer com tudo e sobrepor os outros instrumentos de forma incrível. A vocalização é bem interessante também, e após ela a música transmite uma energia forte e ao mesmo tempo leve. Não fosse o vocal, duvidaria tratar-se de Placebo.
A música oito é “The never-ending why” e trás guitarras fortes, unida a baixo e bateria nas estrofes. Tem uma energia forte, boa pra pistas (no plural por ser boa para pista de dança e pista no sentido de rodovia). Os sintetizadores aparecem, mas não tanto quanto nas outras faixas. A guitarra está realmente forte, junto com a bateria. E um ar eletrônico domina a introdução de “Julien”, com aquele ar soturno dado pela voz baixa de Molko. A bateria da o ritmo, como sempre, e a cara de pista de dança fica clara. A guitarra entra riffando distorcida, mantendo o ar mais misterioso. E do nada parece que mudamos de faixa, com a guitarra dominando. A impressão de que houve uma cadencia não me abandona, e temos agora o encontro dos sintetizadores da primeira parte com a guitarra. O final parece contar com violinos, mas não sei ao certo. Estamos na 10ª trilha, “Happy you’re gone”, que começa com a voz melancólica de Molko. Guitarra e baixo bem baixinhos, com notas agudas de teclado sintetizado e bateria leve. Pelo menos inicialmente, é música para dormir. Mas logo no primeiro minuto a música toma intensidade e energia, dando uma empolgada e volta ao ar mais leve, porém não tão leve quanto a introdução. E essa alternância segue por toda trilha. E temos uma guitarra e bateria agitadas na 11ª faixa. “Breath Underwater” é uma música rápida, de bateria e guitarra bem ligeiras e pesadas. O baixo fica de fundo e, até agora, nada de sintetizadores. Eles aparecem no refrão, mas de base e meio escondidos pela bateria e pela guitarra. A penúltima começa suave e se chama “Come Undone”. Teclado simples e baixo dando base, com a bateria bem suave de fundo. A guitarra e a bateria se destacam posteriormente, dando o peso caracterísico da banda (pelo menos quanto ao pouco que conheço deles). E fechamos o cd com “Kings of medicine”, e começa com uma guitarra abafada e até animadinha junto ao vocal. O ar soturno e mais pesado é dado pelo baixo e pela bateria. O teclado com som de orgão fica bem ao fundo, só garantindo o ar mais etéreo da faixa. Isso até o teclado entrar com seu som original. E as palminhas no meio da trilha dão um toque interessante. Essa é outra música mais animadinha, e acho que é mais fácil de ser vendida para os não fãs. O teclado dela é legal por alternar entre sons “normais” e sintetizados.
Esse é um ótimo cd, com seus 51 minutos. Temos aqui uma obra um pouco diferente do visto nos singles anteriores, porém nada grave a ponto de dizer que a banda “traiu o movimento”. Digamos que o Placebo apenas acompanhou o mercado e acabou fazendo músicas que mesclam a identidade própria com o que vemos no cenário atual.
“While I’m gonna dance with him tonight / All of my wrongs / No more wicked ways / Come back to haunt me, / Come what may / He wrote the songs / That I hoped to write someday / Looks like the devil’s here to stay / Let me take you far away / With the devil in the details / We’ll kiss and tremble with the light / Everything is fine / With the devil in the details” (Devil in the details – Placebo)
See ya later…
Resenha – Simple Minds em “Graffiti Soul”
Olá Pessoal!
Mantendo a média de uma resenha por semana, hoje falarei de uma das bandas mais antigas que tive contato atualmente. Depois de 4 anos sem cds lançados, o Simple Minds volta com o álbum “Graffiti Soul”, comemorando 30 anos de uma das bandas mais ativas no New Wave e talvez uma das primeiras do gênero. Dona do sucesso oitentista “Don’t you (forget about me)”, parece-me que este álbum será um dos aclamados desse ano, apesar da fama da banda não ser, aparentemente, a mesma de outros tempos. Como não sou extrema conhecedora da obra da banda e é meu primeiro contato com o cd, não levem essa resenha tão a sério. Falando rapidamente do cd, temos 10 faixas, sendo duas delas bonus. Além disso, há uma deluxe edition que conta com mais 9 trilhas. Aqui, comentarei da versão “básica”.
A primeira música é “Moscow Underground”, e vem cheia de sintetizadores, o baixo grave e forte, e a guitarra meio que de fundo. A bateria só faz a sua função básica de dar o ritmo a música. O vocal de Jim Kerr é suave e grave, e acho interessante ouvir essa música no fone pelo efeito de balanço utilizado nos sintetizadores. Parece que o som tá passando de um lado para o outro, quase que girando ao seu redor. A faixa seguinte é “Rockets”, single lançado dia 18, e começa com um sintetizador e guitarra, apenas as duas, com a entrada da bateria e do baixo posteriormente. Mais comercial, não atoa é single, com cara de baladinha, o baixo se destaca nas estrofes mas logo é sobposto pela guitarra cheia de efeitos. A terceira trilha é “Star will lead the way” é, aparentemente, mais romântica/melancólica e tem uma levada com menos sintetizadores. Ainda assim, lembra mais os anos oitenta em si e não a mera influência deles. Mais tranquila que as duas anteriores, da vontade de andar sozinho de carro e de forma tranquila, apesar de ter no meio dela um momento mais agitado e tenso que logo se resolve com os sintetizadores bem suaves. Estamos na música quatro, “Light Travels”, que tem basicamente sintetizadores e baixo no começo, com uma guitarra distorcida. A bateria entra mais ao meio da música, junto com uma guitarra sem distorção aparente e deliciosa. A música ganha mais intensidade por volta do primeiro minuto e meio. É uma fiaxa mais densa que as outras, é mais pensativa digamos assim. E chegamos a metade o cd com “Kiss & fly”. Uma guitarra abre a música, junto com a bateria. Nada dos sintetizadores até agora. O baixo aparece forte, mas pontuado na faixa. Os sintetizadores aparecem só no que creio ser o refrão da obra, e confesso que gostei do ar mais rock da faixa. Temos uma falsa cadência, uma queda na intensidade da música que dá um ar até mais sensual pra faixa. A intensidade vai voltando aos poucos.
A música seis é a faixa-título, e vem no melhor estilo oitentista. Grave, cheia de sintetizadores, misteriosa e sensual a sua maneira. Bateria forte, baixo fazendo uma linha quase que constante, a guitarra distorcida. Simplesmente linda. Dá para se ver facilmente essa música numa pista. Achei interessante o meio da faixa, dando um fade-out com o baixo em destaque e voltando. No final da trilha, usam novamente o fade-out. “Blood type o” segue o cd, e começa com um teclado sintetizado e uma guitarra distorcida, sendo os dois intrumentos seguidos pelo baixo e bateria. A voz também conta com efeitos, e torna tudo mais interessante. Numa linha mais, digamos, psicodélica e “etérea”, a música tem bem a cara de barzinho de rock. Outra coisa legal é a nota constante que fica, aparentemente, na uitarra durante o refrão sendo tocada de forma bem rápida. Não sei se foi intensional, mas ao fundo do final da faixa é perceptível aos mais atentos o toque de chamada do skype. Fato esse que me deixa curiosa. “This is it” começa com um sintetizador simples e a guitarra entra progressivamente. O baixo e a bateria entram bem rápidos pouco depois, e a voz grave de Kerr complementa o clima de pista de dança da trilha. Agora em a primeira faixa bonus, “Shadows e Lights”. Tem um ar mais leve, mais pop, apesar da guitarra distorcida. A bateria aparece de fundo e não escuto o baixo, pelo menos no começo da faixa. Realmente, ele só entra lá pelos 40 segundos, assim como os sintetizadores. O riff de guitarra sem distorção, mais aguda, transmite um ar mais próximo, mais aconchegante que o das outras trilhas. É uma faixa bem comercial, apesar de fugir bem ao estilo do resto do cd e, assim, estar justificada a presença como bônus. Num ar mais parecido com o cd, apesar da guitarra dominando a introdução e a cara de classic rock característica, chega “Rockin’ in the free world”. Não parece ser o simple minds cantando, porém ficou muito interessante, talvez quase tão interessante quanto a original.
Temos aqui um ótimo cd, a ser lançado amanhã, com 42 minutos de sintetizadores, guitarras e baixos nas melhores influências oitentistas. Antes de ter influência, o Simple Minds é referência no gênero e na época e só mostram que, como na moda, a música vai e volta e as vezes é melhor fazer as coisas como sempre fazemos.
“Tell me your troubles and doubts / Giving me everything inside and out / And love’s strange: so real in the dark / Think of the tender things / That we were working on / Slow change may pull us apart / When the light gets into your heart, baby / Don’t you forget about me” (Don’t you (forget about me) – Simple Minds)
See ya later
Resenha – Pullovers em “Tudo o que eu sempre sonhei”
Olá Pessoal!
Com atraso de uma semana, devido a problemas pessoais, volto a postar aqui com grande alegria! Hoje falarei, de novo, de uma banda nacional que me fascinou logo na primeira música. O Pullovers existe desde 1999, porém o primeiro álbum totalmente em português é o resenhado aqui. A banda, composta por 6 rapazes, chegou a mim por meio do post de um deles no blog de outra banda, o Ludov. Habacuque Lima é o elo de ligação entre essas duas maravilhosas bandas e o mais novo dentre os integrantes do Pullovers. Bem, vamos ao que interessa. A resenha é faixa-a-faixa, e como o cd tem download gratuito pela Trama Virtual, recomendo o download (o link está lá embaixo), podem realmente me acompanhar.
Com um Cello forte, a faixa-título abre o álbum. Música forte, bem ritmada e densa sem ser triste. De letra também forte, os instrumentos estão bem colocados, dando suporte para o Cello e vão progressivamente aparecendo. A segunda trilha é “O amor verdadeiro não em vista pro mar” mistura distorções e rocks com ares de mpb e bossa no ínicio, e no refrão vira uma doce balada. Guitarra destorcidinha e baixo marcante, com a bateria dando força quando precisa. A música 3 é bem rapidinha e se chama “1932 (C.P.)”, mas no refrão dá uma acalmada. Também bastante alegre e romântica, mantém a linha da primeira só que eu sinto mais distorções (posso estar errada, mas parece ter sintetizador bem no fundo). “Marinês” aparece numa levada mais pra mpb moderninha que pro rock, com guitarra aqui e ali e o piano aparecendo mais. Letra contanto historinha de maneira acelerada, porém não exatamente apressada, como todo paulista/paulistano sabe ser e fazer. “Lição de casa” é a quinta música e volta com o ar mais rock, só que com a cara brasileira que o Pullovers soube dar. A inspiração em bandas indies de fora, assim como a inspiração em gêneros nacionais, fica clara na guitarra acelerada, bem parecida com as britânicas, usando escalas típicas das músicas brasileiras. Com ar melancólico começa a sexta música, “Quem me dera houvésse trem”. Piano em destaque com bateria, guitarra riffada e baixo marcante. O ar de sofrimento romântico dessa trilha é difícil de ser superado. A faixa vai, progressivamente, acelerando e “animando” por assim dizer. E chegamos a metade do cd com “Marcelo (ou Eu traí o rock)”, com uma pegada bem mais pro rock que as anteriores. A guitarra mais constante, a bateria mais forte, o piano ritmado. Só o baixo está numa levada mais mole.
A pegada de rock misturado com influências brazucas volta na faixa 7, “Futebol de óculos”. Com temática mais nacional impossível, uma conquista narrada como a história de um jogador sem ficar superficial ou chula é a letra. A música tem guitarra acelerada e uma levada doce e até praiana, com o piano de fundo dando a leveza da música. “Sambinha salgueiro” dura 15 segundos e é um sambinha animado. A melancolia e predominância de gêneros nacionais voltam em “O que dará o Salgueiro?”. Piano mais destacado, guitarra riffada, baixo e bateria bem ritmados. É impressionante como esses paulistas (pelo menos no MySpace a banda está como sendo de São Paulo-SP) tem uma música que poderia ser facilmente atribuída a cariocas. O ar rock volta acelerado e mais pesado em “Semana”, e não estarei tão errada em dizer que temos um piano/teclado sintetizado ai. A guitarra esta deliciosa e o baixo impera ao lado da bateria no acelerar da faixa 11. É uma das trilhas mais rapidinhas. A penúltima é “Todas canções são de amor”, e trás aquele rock mais doce e melancólico, com a pitada nacional dado por um piano mais agudo e um violão arpejado aqui e ali. E o cd encerra em “Tchau”. Trilha acelerada com ares mais nacionais e dramáticos, piano forte acompanhado do baixo. Tem um lindo trecho com um violão bem ritmado e gerando uma tensão que logo se resolve. A bateria fica mais ao fundo, assim como a guitarra. No final a guitarra aparece mais pesadinha, mas ai já é tarde.
O cd é bem rápido, com seus 42 minutos de músicas aceleradas que se alternam entre animação e melancolia. A mistura de influências é maravilhosa e pode muito bem agradar tanto aos que preferem músicas com ares britânicos quanto aos que gostam de uma mpb moderna. Espero, muito, que a banda continue com esse som pois conseguiram mais uma fã.
MySpace – Pullovers
Trama Virtual – Pullovers – Download do CD “Tudo o que eu sempre sonhei”
Site Oficial – Pullovers
“Livro, disco, rádio, TV, / tudo a serviço dessa dor, / mesmo discurso pra vender, / sem distinção de classe ou cor. / Eu tento ser superior, / endurecer, não suspirar, / acreditar não haver amor / com ou sem vista para o mar. / Mas todas as canções são de amor. / tudo o que cala. / Tudo o que se fala é do amor, / é se isolar ou se render.” (Todas as canções são de amor – Pullovers)
Vejo vocês depois
Resenha – Móveis Coloniais de Acaju em “C_mpl_te”
Olá leitores!
Como ontem (08/05/09) foi dia do congelamento dos blogs (pelo menos para alguns) como protesto a lei feita proposta pelo senador Azeredo [para maiores informações leia esse post ou procure no google sobre tal assunto, vale a pena], meu post ficou pra hoje. E temos outro download gratuito (pelo menos para nós, ouvintes) e legalizado. A banda em questão, como visto no título, é a “Móveis Coloniais de Acaju” em seu mais novo cd “C_mpl_te”. Lançado essa semana (só não me lembro o dia exato) pela Trama Virtual, temos um bom exemplo de ótima música nacional acessível. A resenha faixa-a-faixa vem agora, me acompanhem por favor.
Começamos com “Adeus”. Não, não se trata de uma despedida e sim da primeira trilha do cd. A voz grave combinada com a guitarra, um fundo de teclado distorcido, dão um ar romântico e melancólico. A bateria gera uma tensão um pouco antes do refrão e os metais aparecem no mesmo. É uma das poucas bandas que eu vejo fazendo uso constante dos metais. “Cheia de manha” vem em seguida, e começa numa levada bem de barzinho, bateria leve de fundo e voz grave. Ares melancólicos, naipes de metal, e a música ganha energia. A guitarra acelera um pouco o ritmo da música. A terceira música é “Sem palavras” e vem num ritmo acelerado, quase que dando ares de fuga. A guitarra e o baixo aparecem pouco, o destaque fica na bateria e nos metais. Temos uma depressão na música, um trecho mais denso, que vai se disolvendo até a música voltar a se agitar, e ai volta a densidade. A música é longa, e termina numa mescla das alternadas densidade-rapidez, com fortes naipes de metais. A música quatro é “Indeferença” e lembra um pouco a MPB da época de 60/70, mas ai entrm as guitarras e a bateria acelerada, mudando os ares. Temos um ritmo bem marcado e constante. O meio tem um trecho marcante na letra (descubram qual é, mas é por volta dos 3 minutos), que mostra o talento claro dos rapazes. Gostei das palminhas no fade-out. A quinta trilha é “Lista de Casamento” e tem uma longa introdução, de ritmo rápido e levada que dá vontade de pular. E a frase “Mas se eu não me engano / Eu posso estar enganado” é maravilhosa. O meio do cd vem com “O tempo”, e tem uma das introduções que mais gosto. Bastante animada como um todo, a história da letra é um doce, uma daquelas preciosidades de declarações amorosas. Nada meloso, mas bastante sincero e animado. Destaque, de novo, para os naipes de metais. Um piano delicado aparece no meio da faixa. Temos uma situação de tensão que resulta numa melancolia no último minuto. Mas a animação volta no finzinho mesmo.
A sexta música é “Cão-Guia”, uma das minhas prediletas. Não só pelos gracejos dos metais, mas pela letra também. A voz grave, o clima quase “No Air”. Triste, pesada, pessimista e ainda assim encantadora. Passa uma sensação de revolta contida. E no final tempos uma falsa cadência que não se concretiza, para nossa sorte. “Descomplica” me trás algo que não sei o que é, mas me lembra reggae. A levada mantem aquele clima agitadinho, os naipes de metal, porém é mais otimista que as outras trilhas. A oitava trilha, “Café com leite”, trás a guitarra em destaque na introdução. Mas é logo sobreposta pelos metais, e temos uma levada tensa. Estamos na 9ª música, “Pra manter ou mudar (a do piano)”, tem um piano em destaque (séééério?) interagindo com os metais e a bateria. Ao longo da música, o piano vai sendo trocado ou sobreposto pelos metais. Ai ele volta nas estrofes. “Bem natural” é a penúltima do cd e temos aqui uma levada mais mole, mais swingada. E fechamos o cd com “Falso Retrato (U-hu)”, que tem uma predominancia de rock e sintetizadores bem mais forte que no resto do cd. A música como um todo é mais rápida e sugere uma revolts mais forte.
Temos aqui um cd longo, com seus 50 minutos, e extremamente bem aproveitado. A banda abusa das tensões, falsas cadências, impressões de término e mantém o ouinte preso e esperando o que vem pela frente. Além disso, o Móveis afirma um estilo muito próprio de fazer seu Rock/Ska/Latino (isso é eles quem dizem, no MySpace da banda), sendo fácil diferenciá-lo do cenário atual. Obra altamente recomendada.
MySpace – Móveis Coloniais de Acaju
Site – Móveis Coloniais de Acaju – Com link para download do CD “C_mpl_te”.
“Não vou apostar / nessa vida de azar / se ela pode ir mais além / deixa como está / Dessa sorte eu sou refém / seis dezenas, fiz um par no amor não fui tão bem / Cansei de ser um perdedor / fiz do destino meu amigo, / ente querido, fiador” (Cão-Guia – Móveis Coloniais de Acaju)
Vejo vocês por ai




