Resenha – Ex Nowergian em “Standby”

Fevereiro 25, 2009 at 12:32 pm (Música) (, , , )

Olá Galera!

Novamente me desculpo pela falta de frequência certa nos posts. Hoje venho falar do primeiro cd de uma banda surgida no ano passado. Bastante novos, o pessoal do Ex Nowergian se diz, no myspace, Powerpop/Classic Rock/Shoegaze. Boa mistura, não? O cd deles foi lançado na internet dia 18 de fevereiro e será lançado em formato físico, na falta de expressão melhor, dia 10 de março. Com inspirações que vão de David Bowie a Enrique Inglesias, a banda parece misturar várias vertentes dos estilos dominantes na atualidade. Vamos ver agora o que esse pessoal da Flórida tem pra nos dizer musicalmente falando.

O cd começa com “Fujeira in my dreams”, e o vocalista da um “grito” que me lembra vagamente o rapaz do Kaiser Chiefs. Música agitadinha, leve e boa para se ouvir com amigos. Vez ou outra a guitarra parece ser suja, mas nada muito forte. É uma música que segue bem mais a linha do indie que do powerpop na minha opinião. A segunda faixa inicia com riffs de guitarra e se chama “Don’t bother”. Ainda leve, porém com diferença no vocal que parece mais agudo e levemente forçado. Percebe-se ares de country-rock influenciando essa música bem ao fundo. A trilha de número 3 é “Something Unreal”, single atual da banda. Com violão bem puro e palminhas acompanhando, surpreende quando usa distorção na voz. A bateria fica bem apagadinha, principalmente por ser subposta pelas palmas. A guitarra aparece em certos momentos e dá a cara rock que a música precisava. A quarta música é “Fresh pit”, e os vocais lembram os anos 60 com seus backvocals. A guitarra de levada fácil, assim como a bateria, fazem a música ser dançante sem precisarser daquelas que você se joga na pista de uma vez. Digamos que seja algo para uma dança meio lenta e bastante divertida. Chegamos a faixa 5, “Pow3rfull”, com guiatarras que lembram o punk. Aliás, a música quase como um todo lembra o punk, acho que com a excessão do vocal. Este faz a música não fugir do estilo da banda, ou seja, permanecer no indie/powerpop. E a metade do cd aparece com “Sudeki Lover”. Começamos ela com a bateria em destaque e os riffs de guitarra. O vocal parece mais mole, e a música tem um ar mais psicodélico. Lá pelos 2 minutos ela da uma pesada que lembra os rocks mais clássicos, e termina com um ar punk.

A sétima música se chama “Add vice”, tem um ar melancólico oitentista no início, indo depois para o nosso bom indie/powerpop. Ah, essa música tem um ar de verão muito legal. “Gross you” é a 8ª do álbum e tem cara de música mais tristinha da banda, e ainda assim é uma musica animadinha. A guitarra da um ar mais mole, os vocais remetem novamente a 60/70 pelos backvocals. “Dance trance parte” é a música mais fácil de mixar, visto o eletrônico presente naturalmente na faixa e bem mesclado com a guitarra e a bateria. Ah, só para constar, eles fizeram um vinil de 7 polegadas com essa faixa. Estamos agora na décima trilha, “All Over Again”, de guitarra com riffs leves e vocal levemente melancólico. Violão e bateria fazendo base e aparecendo pouco, mas nos momentos certos. A música se anima no meio dela, lá pelo 1min25s. A penúltima música é “Sad Wonder”, que revive uma mistura de anos 70 e 80 na sua melodia. Fechamos o cd com “My Name is Paul”, de voz distorcida/abafada e, não atoa, um enorme jeito de Beatles na introdução. Passado isso, temos uma música normal, porém deliciosa de se ouvir. Ah, curiosidade, essa é a maior música do cd com seus 3min18s. O powerpop se mostra em sintetizadores bem ardidinhos ao fundo.

Temos aqui uma boa banda debutando no mundo do powerpop. O cd, bem curtinho, é fácil de ouvir e certamente algumas músicas grudarão na cabeça de muita gente. A pena é o myspace sem download.

MySpace – Ex Nowergian

“You’re not to blame / The worlds insane / Same change is happening / All over again” (All over again – Ex Nowergian)

See ya later

Link Permanente 1 Comentário

Resenha – Iain Archer em “To the pine roots”

Fevereiro 24, 2009 at 7:58 am (Música) (, , )

Olá Pessoas!

Hoje venho comentar de mais um cd de folk que roda pela rede. “Oras, e qual a diferença desse para tantos outros que nos são oferecidos?”, vocês me perguntam. E eu respondo com total sinceridade que eu jamais esperaria por esse cd, visto que ele foi feito por um ex-snow patrol. Oh, sim, meus caros leitores, temos agora a prova via de que o folk está tomando o mercado e a mente dos músicos indies/alternativos. Na verdade o sr Archer faz seus cds desde 1995 e, agora, resolveu apostar as fichas desse 2009 que mal começou no cd “Standby”. Vamos então ver o que nos espera, ok?

O cd inicia sem grandes surpresas na faixa “The Acrobat”. De voz suave, violão dedilhado e bem ritmado e um instrumento que suspeito ser a escaleta, essa música carregua aquele ar calmo dos folks recentes, como Kings of Convenience (não que o som lembre a banda exatamente, é só uma menção aos “novos” folks). Seguimos para a segunda música, “Songbird”, onde encontramos um violão levemente mais sujo de base com um riff baixinho. Ou eu creio que seja um riff de violão, não sei, poderia ser as notas mais agudas de um piano também. Menos dedilhada que a primeira e mais gostosa de se ouvir, pelo menos na minha opinião. A terceira trilha é mais triste e leva o nome de “Black Mountain Quarry”. Ou melhor, ela gera mais ansiedade com o ritmo dela. Pela primeira vez no cd a bateria aparece claramente e com certo destaque, fazendo dessa faixa uma música levemente mais agitada que as anteriores. “Hey Mia, don’t be lonely” é a nº 4 desse cd, e vem carregada de melancolia com o violão dedilhado, transmitindo bastante emoção e dando vontade de ficar numa casa de campo vendo o pôr-do-sol. A voz de Iain parece estar mais rouca, o que dá um ar ainda mais gostoso para a obra. E chegamos a metade do cd, que só tem nove músicas, com “Everest”, com todos seus oito minutos de duração. Puro violão no começo, a bateria entra depois do primeiro meio minuto. A música segue agregando seus componentes, e mantem a cadência. A voz dele fica ótima nessa faixa, agregando progressivamente mais energia a toda composição. Na metade da música, um momento de calmaria para um solo de violões (deveria ser um violão só?), que vai alternando o volume ficando mais ou menos intenso. A força volta com a voz de Archer e tudo termina numa grande e empolgante melodia.

Passamos para a sexta faixa, “Frozen Lake”, e o rapaz se arrisca em um pouco tons mais agudos que os anteriores. Boa proposta, ainda mais quando acompanhado levemente de o que eu diria ser um sintetizador ao fundo. Ok, sintetizador e folk normalmente não combinam, mas acho que foi isso que aconteceu. A união do elétrico com o violão, mais uma vez. Violoncelos aparecem de fundo, com alguns violinos. Sétima música, “Streamer on a kite”, tem o ar mais country-folk de todo cd até agora. Lembra bastante aquela coisa do velho oeste, dando até pra imaginar aqueles velhos cowboys cavalgando e viajando enquanto levam a boiada por ai. Ou isso ou minha imaginação anda muito fértil. Me parece existir ai também um orgão. Enfim, penúltima música, “To mend and move along”. Aquela carinha de música folk típica. Violão e voz bem suaves, quase dá para dormir com a linda cítara ou harpa do fim da faixa. E terminamos com “The Nightwatchman”. Violão com lindas e destacadas trocas de baixo, uma voz levemente mais grave do que o usado no resto do cd. Parece que ele está sentado ao redor de uma fogueira contando histórias para crianças.

Como comentário geral, temos aqui 40 minutos de um folk bem trabalho e sem as “sujeiras” sonoras no violão que, alguns podem dizer, caraterizam o estilo desde sabe-se lá quando. A aposta de Iain Archer não é em vão e aparenta sim ter grande chance de futuro. No myspace tem três das nove músicas e, pelo visto, nada de downloads.

MySpace – Iain Archer

“But my heart it never breaks / It just beats on despite the ache / And the day I touch you and make you see / Broken well be / You and me” (Canal Song – Iain Archer)

See ya later

Link Permanente Deixe um comentário

Resenha – Kelly Clarkson em “All I Ever Wanted”

Fevereiro 23, 2009 at 9:39 am (Música) (, )

Olá Pessoal!

Desculpem novamente a pausa e o atraso. Início de semestre, início de ano e poucas novidades no cenário fazem com que eu não me sinta nada estimulada a resenhar. Hoje falarei de uma srta que surgiu em Reality Show porém provou que é possível sim um artista saído desse tipo de produção ter talento e estabilizar sua carreira. Kelly Clarkson chega com o cd “All I Ever Wanted” com um ar levemente diferente do cd anterior. Retomando as veias do pop em algumas faixas, aposta em sintetizadores na hora certa e mantém a qualidade de seu trabalho. Mas vamos ao que interessa, resenhar o cd faixa por faixa e esmiuçar o que essa moça tem feito.

O cd começa com a pegada mais pop que já ouvi vinda da cantora. O título da faixa é “My life would suck without you” e é feita de sintetizadores por toda parte, sem destaque para os intrumentos puros. Uma música digna do rótulo pop que leva e que adota esse gênero abraçando-o por completo. A segunda música é “I do not hook up” e começa com um riff de guitarra bem rockzinho, bateria leve e baixo leve também. Ao fundo, um sintetizador que mostra o pop de qualidade que vem por ai. Com o melhor estilo Pop-rock revoltadinho (eu diria que lembra a Avril em sua boa fase ou o que a sr Cyrus tem feito atualmente), a faixa difere bastante da primeira. A terceira faixa é “Cry”, e começa com violinos e uma guitarra riffada romanticamente. Com algo que lembra uma “breakaway” mais tristinha, tem carinha de single e seduz a gente na primeira vez que ouvimos. Nela voltam aqueles agudos característicos da cantora. A trilha 4 é “Don’t Let Me Stop You” e volta com o ar rockzinho, dessa vez remetendo ao cd anterior, com uma guitarra mais ritmada e abafada, dando um ar levemente mais pesado e retomando mais o pop-rock feito pela cantora. Acho que vai ser uma das minhas favoritas, visto que ainda não tenho uma preferida desse cd. Ah, remete levemente ao ar de “Behind these hazel eyes”, só que mais leve. A quinta música é a título do álbum, “All I ever wanted”, e começa com um baixo forte e bem gostoso de se ouvir, com uma guitarra de fundo e a bateria só naquele ritmo bem marcado. O álbum chega a sexta das quatorze músicas com “Already Gone”, que tem bateria em destaque com algo que creio ser violino. Alguns sintetizadores e um “reverb” mais forte na voz da cantora fazem com que a obra tenham um ar meio aéreo e certamente disputará o cargo de balada romântica com “Cry”. Aqui notasse certa influência do black, que tem se tornado o melhor amigo do pop no USA. E chegamos ao meio do cd com “If I can’t have you”, outra que mistura coisas do rock, como a guitarra mais pesadinha, e os sintetizadores do pop. Com um ar de música de pista, creio que seja uma das melhores músicas para dançar.

Passamos para a segunda metade do cd com “Save you”. Incialmente uma guitarrinha suave que parece acompanhada de um piano e aquela voz deliciosa de quem sabe o que está fazendo e que está fazendo com todo coração. Mais uma para a lista de baladinhas românticas da srta Clarkson. No meio da música o ritmo deixa de ser tão calmo e a bateria da o ar de sua graça. A nona música é “Whyyawannabringmedown”, e começa com um ar meio punk, bem mais rock que antes. O vocal dela casou perfeitamente com esse estilo, lembrando muuuuuuuito vagamente The Donnas. Digamos que temos ai o que seria o The Donnas se tivéssem ido pro pop. Outra que vai para minha lista de favoritas, com toda essa pompa, essa bateria rápida e a guitarra em destaque. Notá-se que o ar de revolta predomina em certas faixas e que isso só faz eu gostar da Kelly Clarkson ainda mais. A décima faixa é “Long shot”, que começa com violinos que lembram metal melódico. Ai entra a guitarra e mantém esse ar épico, porém retoma o pop próprio da cantora. Muito boa para quem acha que a mulher não sabe fazer nada além do que o mercado exige dela. De ar animado, a música é uma ótima para se mostrar aos mais arredios ao pop. A número onze do cd é “Impossible” e volta com os sintetizadores, misturando-os a guitarras mais pesadas e um piano, dando um ar mais tristonho a trilha. A cantora aposta nas músicas que mesclam bem o rock e o pop, surpreendendo a aqueles que (como eu) viam-na como mais uma do mundo pop. Chegamos a 12ª música, “Ready”, com um ar mais leve nos sintetizadores e uma bateria de levada mais swinguada, é a faixa, senão uma das faixas, mais leve de todo álbum. Dessa vez temos um ar country aqui. A penúltima faixa é “I want you”, cheirando novamente ao mais puro pop e rementendo aos anos 90. Bateria bem marcada e uns sintetizadores de fundo que lembram a xilofone dão um ar animado e ingênuo para essa música. E a última música é “If no one will listen”, com um piano melnacólico e a voz mais romantizada e ciente do que está fazendo. Parece que Kelly CLarkson nasceu para cantar músicas desse tipo, de bateria baixa e piano destacado, dando um ar que “antena 1″ para a música.

O cd mostra toda a versatilidade de Kelly Clarkson e agrada a gregos e troianos sem problemas. Indo do casamento entre pop e black até a mistura quase impossível de pop e metal melódico, a cantora mostra o quanto sabe cantar e o quão bem o faz. Ah, só pra constar, o cd tem lançamento previsto para dia 10 de março. Novamente os “males” da internet me afetam. No myspace dela só tem , do novo cd, “My life would suck without you”.

MySpace – Kelly Clarkson

“Remember all the things we wanted / Now all our memories, they’re haunted / We were always meant to say goodbye” (Already Gone – Kelly Clarkson)

See ya later

Link Permanente Deixe um comentário

Resenha – Morrissey em “Years of Refusal”

Fevereiro 15, 2009 at 9:59 am (Música) ()

Olá Galera

Vamos falar hoje de um cara que vem, desde os idos de 80, fazendo música boa e impressionando pessoas das mais diversas idades. Claro que falaremos de seu mais novo trabalho e de como sr Morrissey faz o que bem entende e ainda assim sabemos, logo ao escutar o início da música, que ela é de sua autoria. Claro que falaremos do cd lançado logo em janeiro desse ano, fazendo com que 2009 começasse bem.

A obra começa com “Something is squeezing my skull”, e nela notamos o estilo clássico, remetendo a época do “The Smiths”. Na verdade, juraria que essa música veio daquela época e nem sofreu com uma nova roupagem ou algo do gênero. A segunda música, entitulada “Mama Lay Softly On The Riverbed” começa com uma bateria forte que se mantem por mais ou menos meio minuto em destaque, até que entre a guitarra. E essa alternância parece continuar durante a música, sendo que ela tem cara de ser mais recente, ao contrário da música anterior com seu ar oitentista. A terceira faixa é “Black Cloud”, que começa com um ar mais soturno e com os riffs de guitarra novamente remetendo a toda obra do nosso caro resenhado. A letra é bem profunda, de uma platonicidade romântica impressionante. “I’m throwing my arms around Paris” é a quarta trilha, e parece melodicamente mais otimista que as anteriores, fugindo a linha mais tristonha que dizem ser típica do cantor. Estamos agora na quinta música, com “All you need is me”. Com uma melodia mais pesadinha, ela passa todo o ar de egocentrismo e desejo passado pela música em seu título. Perfeita pra dançar e tentar xavecar alguém na pista. E a metade do cd chega com “When I last spoke to Carol” mistura rock com uma pegada latina. O metal ficou muito bem colocado e deu um ar de drama mexicano que ficou interessante.

A trilha sete volta com aquele ar mais soturno, e se chama “That’s how people grow up”, e é a principal músca de trabalho aqui no brasil. A guitarra com um pouco de peso, e o vocal no estilo mais conhecido do cantor, favoreceu a popularização dessa faixa. “One day goodbye will be farewell” é a oitava música, de bateria bem rápida e guitarra que mescla animação e melancolia. Parece uma boa música para barzinho. A nona música é “It’s not your birthday anymore”, e começa bem baixinha, tomando volume e intensidade emotiva com o tempo. Ela vai intercalando essa calma com a intensidade no refrão. “You were good in your time” é a balada romântica do cd, sendo a faixa mais calma até agora. A guitarra com notas pontuadas e baixinhas, a bateria quase sem se fazer notar e o teclado formando a base para a música. Lá pelos três minutos e 22 segundos ela dá um ar de mistério, formando uma expectativa interessante e meio medonha, que não encontra resolução. A penúltima música é “Sorry doesn’t help” e, de certa forma, se prigina do clima meio pesado do fim da faixa anterior. Não sei porque, mas me lembra música pra festa de dia das bruxas, só que se anima no refrão. E chegamos ao fim com “I’m ok by myself”, música agitada com cara de pista de dança. A guitarra é mais pesadinha, baixo bem pronuciado e a bateria leve porém rapidinha.

O MySpace do moço em questão só tem “I’m throwing my arms around paris”. Confesso que me surpreendi ao ver que o cd está em pré-venda ainda e com seu lançamento previsto para AMANHÃ no Reino Unido. “Males da internet”, meus caros.

MySpace – Morrissey

“I was wasting my time / Trying to fall in love / Disappointment came to me and / Booted me and bruised and hurt me / But that’s how people grow up / That’s how people grow up” (That’s how people grow up – Morrissey)

Link Permanente Deixe um comentário

Resenha – Deolinda em “Canção Ao Lado”

Fevereiro 11, 2009 at 11:24 am (Música) (, , )

Olá Pessoal!

Vou falar hoje de uma banda apresentada a mim por uma amiga lusitana. Não atoa a banda é de Música Popular Portuguesa, tendendo ao fado. Segundo a wikipédia, o grupo surgiu em 2006. O disco aqui resenhado é do ano passado e, por mero acaso, disco de estréia da banda. Ana Bacalhau (sim, esse é o nome da vocalista) tem uma linda voz, e uniu-se a seus primos e seu marido para esse projeto. Enfim, vamos à resenha das 14 faixas do cd.

O álbum começa com “Mal por mal”, de ritmo bem leve e letra com um conflito romântico muito fofo. Fora que o refrão “O teu bem faz me tão mal” e a inversão dele gruda na cabeça e soa de forma até engraçada. A segunda música foi a primeira que ouvi, “Fado toninho”, e mantém o estilo romântico com o violão bem arpejado, no ritmo 3 por 4 típico. A letra é de uma briga engraçada, uma cena mais cômica que do que a primeira. “Não sei falar de amor” é a terceira faixa, e começa apenas no vocal, com os instrumentos entrando pouco depois. É uma música mais melancólica do que as anteriores, e por isso mesmo considero-a mais bela. A faixa 4 é “Contado ninguém acredita”, novamente com aquele ar engraçado. Melodia animada, com violão muito bem arpejado e trocas de baixo lindas, e um romance platônico quase incompreenssível (pensei ser o caso de amor por um padre, talvez) na letra. Chegamos a música “Eu tenho um melro”, 5ª do cd, também mais calma e melancólica, com apenas um violão no ínicio. Quando o outro violão e o contra-baixo entram, quase imperceptíveis, é só para fazer um jogo a mais na música. E, pela primeira vez, um breve jogo de vozes é feito, e no final a música fica mais animada. Isso deve ser o prenúncio da sexta faixa, “Movimento perpétuo associativo”, que mescla partes mais fortes com partes mais cômicas, que parecem fazer parte da natureza da banda. E a metade do cd chega com “O fado não é mau”, uma música novamente mais melancólica, com uma triste sina envolvendo o próprio ritmo da banda.

A oitava faixa é “Lisboa não é a cidade perfeita”, nostálgica como poucas músicas que ouvi. Ela vai além da saudade, e novamente une o vocal feminino ao masculino. “Fon-fon-fon” é o nome da 9ª trilha, que conta animadamente a história de uma amor por um tocador de tuba. “Fado castigo” é a música seguinte, novamente saudosista, que parece “reclamar” a impopularidade do fado e “culpar” outros ritmos por isso. Com uma cadência mais forte, a 11ª música é “Ai Rapaz”, e conta o breve trabalho de dançar com o par desejado e toda a espectativa de tal fato. O que mais interessa aqui é mesmo a cadência mais forte, mais marcada. A ante-penúltima trilha é a faixa-título, “Canção ao lado”, animada e rápida. Parece criticar certo eruditismo e o afastamento de certo costumes. Chegamos perto do fim do cd com “Garçonete da casa de fado”, e é a que mais tem relação conosco. Parece que tentaram descrever o espírito de um brasileiro em terra portuguesa ao ouvir a típica música dos nossos colonizadores. O refrão é realmente puxado para o chorinho e maxixe, remetendo a Chiquinha Gonzaga, e Ana o canta quase sem aquele sotaque pesado português. E, com melodia saudosista, terminamos o cd ao som de “Clandestino”, que por acaso conta o caso de amor proibido.

Fica a dica a todos. O folk não se restringe aos europeus e norte-americanos, afinal cada país tem seu folclore. Interessante é perceber os traços musicais do folk deles que residem, até certo ponto, no nosso folclore, como o ritmo 3 por 4 de alguns ritmos nacionais, que pode ter vindo do fado, que por sua vez é música européia. Não tem como baixar as músicas, o que é triste, mas nossos colegas lusitanos disponibilizaram o cd todo para audição no site http://www.deolinda.com.pt/ . O myspace deles conta com 6 das 14 músicas. Eu optaria pelo site.

MySpace – Deolinda

“E soubesse eu artifícios / de falar sem o dizer / não ia ser tão difícil / revelar-te o meu querer. / A timidez ata-me a pedras / e afunda-me no rio / quanto mais o amor medra / mais se afoga o desvario.” (Não sei falar de amor – Deolinda)

Vejo vocês depois

Link Permanente 2 Comentários

Resenha – Thirteen Senses em “Contact”

Fevereiro 10, 2009 at 12:50 pm (Música) (, , )

Olá pessoas!

A resenha de hoje é sobre um cd do ano passado. Mas a descoberta dessa banda se deu essa semana, pela agradável idéia de baixar músicas de bandas que não conheço. A banda inglesa data, pelo que vi na wikipedia, de 2003/2004. Também segundo a wiki, os rapazes são os a única banda de sua região a ter um single num Top 20. O Lastfm diz que eles são parecidos com Keane e Athlete e em seu myspace se auto-classificam como indie/pop/alternativo. Preciso dizer porque gostei deles? Não né? Ah, só a título de curiosidade, essa resenha será feita em cima da primeira impressão do cd.

Com um título fofo, o cd começa com “Contact”, de um piano bem pesado que guia o clima da música. Uma guitarra fica de fundo, dando meio que a base pro paino, coisa que não costumo ver.”All the love in your hand” mostra uma pegada anos oitenta se misturando a guitarras mais fortes soa interessante. Um baixo pronunciado  remete, novamente, ao oitentismo. É uma música muito boa, e tem cara de pista de dança em certos momentos. A terceira música é “Animal”, e a guitarra com distorção mostra o peso da obra, e o sintetizador da o tom melancólico. O vocal sabe onde colocar os agudos da música, o que deixa a proposta ainda mais interessante. A faixa vai ficando mais animada com o passar do tempo, e termina no mesmo tom triste. A quarta faixa, que começa com um violão suave, chama-se “Call Someone”. O violão continua, com o piano aparecendo em alguns pontos, e a bateria só mantendo o ritmo, fazendo dessa música algo bem suave que se torna mais forte lá pelo meio dela. A quinta música, que nos aproxima do meio do cd, é “Follow me” e começa com um sintetizador que lembra o som de orgão, sendo que uma guitarra animada entra logo no começo. Ela aparenta ser uma das mais comerciais. E o meio do cd chega na sexta faixa, “A lot of silence here”, me lembrando as músicas estilo “Antena 1″ (também conhecida como “música ambiente” ou “música de dentista”). Uma guitarra bem lenta e com distorções, quase sem base, bateria suave e sintetizadores dão um ar romântico e melancólico (pelo visto não só pra essa música, como pra todo cd).

Um ar mais soturno começa “Spirals”, sétima faixa do cd. Novamente algo com bastante sintetizador, dessa vez dando um ar psicodélico. O que agita a música é, sem dúvida, a bateria. E esse ar é desfeito na oitava faixa, “Talking to sirens”, mas leve que a anterior. O violão mais rapidinho, a bateria acompanhando isso junto com os sintetizadores, sendo que a guitarra só aparece em certos momentos. A nona trilha é “Under the sun” e começa com um piano e um violino, bem baixinho, de fundo. Depois entra a bateria e a guitarra com seus riffs, sendo o piano base para ela. Até agora, nada de sintetizadores, e um ar de esperança no refrão da música, dando ânimo a quem escuta. A penúltima música é “Spark”, com o piano de base e tendo a guitarra e a voz sintetizadas. Depois do meio da música, o ar da música muda pra algo mais intenso, mais forte, e finalmente entra a bateria mais forte. O cd fecha com “One and Zeros / You And I” sendo que “You and I” é uma faixa escondida. “One and Zeros” segue a linha do piano melancólico e do sintetizador, sendo que a guitarra entra pesando a música junto com a bateria. Aos 6 minutos e 17 segundos da faixa começa “You and I”, que não foge em nada do estilo do cd. Ar melancólico, guitarra com riffs, piano como base e bateria leve.

O MySpace do “Thirteen Senses” conta com 4 músicas, das quais recomendo apenas “Follow me” e “Animals” visto que não conheço as outras duas.

MySpace – Thirteen Senses

“Call someone / Tell them how you feel / Call someone and tell them what you think is wrong / Beat the ground / Show it how you feel / Show it all the ways that you’ve been taught to feel” (Call Someone – Thirteen Senses)

See ya later.

Link Permanente Deixe um comentário

Resenha – Ramirez em “Desembarque”

Fevereiro 9, 2009 at 6:25 pm (Música) (, , , )

Olááááá Galera!!!

Depois dessa longa temporada sem resenha, devo confessar que me sinto sem preparação para tal ato. Deixo inicialmente avisado que, para alcançar a meta defasada de um post por semana, tentarei até terça que vem fazer oito posts. Ou seja, ineditamente um post por dia nesse blog! Quem sabe isso não se torna realidade??

A resenha de hoje é sobre os meninos cariocas do Ramirez, que fazem uma linha de emo que me surpreende pois não reclamam da vida, do universo, da falta de amor e carinho… Enfim, eles fogem das temáticas mais lamuriosas que rotulam o gênero aqui no Brasil. Mas, se são emos e não cantam coisas tristes, o que eles fazem? Um rock romântico e animado! Aliás, falha minha classificar a banda como emo. Isso se deve a rótulos que escutei de outras pessoas. Não gosto desses rótulos confusos, mas os caras se classificam como Rock/Pop/Powerpop no myspace deles. Agora sei porque gosto deles, o powerpop nacional sempre foi algo que me chamou atenção. Mas vamos ao que interessa, segue ai a resenha faixa-a-faixa do cd.

“Não sou um só” abre o cd com animação, tendo uma linha de guitarras bem comum, diferenciando de musicas parecidas apenas pelo sintetizador (ou seria distorção?) ao fundo das estrofes. A letra é uma das mais versáteis e criativas que vi. O álbum continua com “Aproveitar o que perdi”, e alguns dirão que ela tem carinha de abertura da malhação, mas aqui vai a dica: olhe para a letra e veja a nostalgia quase revoltada presente nela. A terceira música é “Desfile de motivos” e, até agora, ela é a preferida dos integrantes da comunidade do orkut. Feita para ser chiclete, tenho certeza, ela alcançou seu objetivo trazendo uma letra de alguém apaixonado e sem esperança. Soa familiar? Ouça e verá que foge do que você conhece e, pasmem, parece ser a história de alguém real. Na quarta-faixa temos uma introdução mais pesada. “Bem quiser” consegue unir peso de música e letra romântica água-com-açúcar sem ser enjoativa. O cd aproxima-se do meio com o single “Sophia”, que inicia com uma guitarra e um piano, os dois bem leves, e a guitarra solo segue com uns riffs pontuados na música. A letra é um conto de fadas e cumpre muito bem a missão de divulgar o som do Ramirez.

O cd chega ao seu meio exato com “Countrycore”, uma crítica criativa e engraçada sobre os hardcores que vão pra mídia. A maneira que eles fazem não é, a meu ver, pejorativa nem ofensiva. Uma música rápida que defende bem uma idéia e muda de ritmo vez ou outra. “Em Roma e Lyon” é a sétima faixa, com um ritmo bem marcado e riffs que atravessam a música toda, dando o tom de rock. Quanto a letra, que é mais uma romântica, e ao ritmo, a música lembra MUITO músicas anos 60 (poxa, elas tem PALMAS no fundo, isso ficou lindo!). Com guitarra abafada começa “Desenhos”, oitava música, e unida a ela riffs e sintetizadores (ou distorções) muito bem utilizados. A letra de final de namoro mantém a cara de anos 60/70 é muito bonita, triste sem desanimar. O peso retorna na faixa 9, “Você foi longe demais”, onde a letra e a melodia fazem casamento perfeito na expressão de revolta. E é nesse intercalar de peso e leveza que surge a penúltima música. “O melhor do que há pra nós dois” começa com um riff leve e animado, e a música continua nesse clima, sem apelar para a pegada mais forte e mantendo o nível mais calmo. Com um piano mais triste, o cd termina na música “Frustrações Infantis”. Letra e melodia bem calmas e melancólicas, com o piano e os backvocals roubados dos anos 60. Clima perfeito de bailinho de “High School” sem soar meloso.

Além de todas essas coisas que disse, fica aqui meu aplauso aos rapazes por liberar na internet seu segundo cd. Se não me engano isso já foi feito no primeiro. Continuem assim, dando exemplo de como divulgar música e quebrar a cara do sistema. Acessem http://ramirez.art.br/ e baixem o cd TODO, com encarte, letras, completinho!

Segue, para todos efeitos, o myspace dos rapazes

MySpace – Ramirez

“Quando eu corro sem olhar pra trás / Ou quando eu ando devagar demais / Se nos meus sonhos eu posso até voar / Só preciso de alguém pra me acompanhar nessa ilusão” (Não sou um só – Ramirez)

Vejo vocês depois…

Link Permanente 1 Comentário